Uma nova possibilidade de tratamento nos Estados Unidos reacendeu a esperança de uma família brasileira que enfrenta, há anos, uma batalha pela saúde do filho. Gabriel Machado, de 19 anos, diagnosticado com paralisia cerebral, deficiência visual e epilepsia refratária, poderá receber células provenientes do sangue do cordão umbilical de sua própria irmã em um procedimento experimental desenvolvido na Duke University, na Carolina do Norte.
Filho de militares do Exército Brasileiro, Gabriel foi levado aos Estados Unidos pela mãe, a ex-sargento Perla Machado, em busca de atendimento especializado. A trajetória da família também ficou marcada por uma disputa judicial para garantir o custeio de tratamentos médicos no exterior.
Segundo informações divulgadas pela Revista Sociedade Militar, o caso do jovem passou pela avaliação médica inicial de um programa de terapia celular da universidade norte-americana. O procedimento prevê a utilização de sangue do cordão umbilical de sua irmã, Maria, coletado em 2010 e preservado desde então em um banco especializado no Brasil.
A possibilidade representa uma nova etapa na busca da família por alternativas que possam contribuir para a qualidade de vida de Gabriel. Entretanto, o tratamento ainda depende de exames complementares, aprovação médica definitiva, pagamento e transporte internacional do material biológico.
Tratamento pode custar US$ 15 mil
O procedimento experimental tem custo estimado em US$ 15 mil. A terapia está associada a pesquisas sobre a utilização de células do sangue do cordão umbilical em pacientes com condições neurológicas.
O programa está ligado ao trabalho da médica Joanne Kurtzberg, referência internacional em pesquisas com sangue de cordão umbilical e terapias celulares.
Apesar da expectativa, o tratamento permanece em investigação científica. Não há garantia de cura ou de melhora clínica, e a participação de Gabriel depende do cumprimento dos critérios médicos estabelecidos pela equipe responsável.
Disputa judicial contra o Exército
A busca por atendimento especializado levou Perla Machado a recorrer à Justiça brasileira para garantir que a União custeasse o tratamento do filho nos Estados Unidos.
Em março de 2015, uma decisão judicial determinou que o governo federal arcasse com o atendimento no exterior. O Exército chegou a custear parte do tratamento, mas os repasses foram posteriormente suspensos após recursos judiciais.
Em 2017, outra decisão assegurou a realização da terapia Therasuit, voltada à reabilitação motora, em uma clínica no Brasil, em vez de manter o tratamento nos Estados Unidos.
Na época, o Exército sustentou que não havia recusado o atendimento necessário e que estava cumprindo as determinações judiciais. A família, por sua vez, contestou a posição e continuou buscando alternativas para garantir assistência especializada ao jovem.
Uma história de luta e esperança
A mobilização em torno de Gabriel começou ainda na infância. Em 2015, familiares e apoiadores já buscavam recursos para manter o jovem em tratamento nos Estados Unidos, enquanto aguardavam uma solução para o custeio da assistência médica.
Mais de uma década depois, a possibilidade de utilizar células do cordão umbilical da irmã representa um novo capítulo nessa trajetória.
A família agora concentra esforços para cumprir as exigências médicas e financeiras que permitirão a realização do procedimento.
Embora ainda não exista confirmação de que a terapia trará benefícios ao jovem, a possibilidade de acesso ao tratamento experimental renova as expectativas de seus familiares, que seguem em busca de alternativas para melhorar sua qualidade de vida.
O caso também evidencia os desafios enfrentados por famílias brasileiras que precisam recorrer a tratamentos especializados fora do país, especialmente quando envolvem procedimentos de alto custo e disputas judiciais prolongadas.





